No palco da política, o povo virou figurante — quando não, o verdadeiro bobo da história. Assiste, perplexo, às cenas repetidas de alianças improváveis, onde antigos adversários, que ontem trocavam acusações e discursos inflamados, hoje dividem o mesmo palanque com sorrisos ensaiados. As críticas desaparecem, os princípios se dobram, e tudo parece caber dentro de um acordo conveniente.
Não é sobre ideais, nunca foi. É sobre cargos, mandatos e sobrevivência no poder.
Enquanto isso, a opinião popular vira detalhe, quase um incômodo a ser ignorado. O voto, que deveria ser instrumento de mudança, se transforma apenas em meio para legitimar os mesmos jogos de sempre. Cada político busca garantir sua posição, sua vantagem, sua continuidade — custe o que custar.
E como se não bastasse, ainda há a tentativa constante de transformar a política em herança de família. Nomes se repetem, sobrenomes ocupam espaços, e uma mesma casa se enche de mandatos, como se o poder fosse patrimônio privado.
Do outro lado, está o povo. Quem paga impostos, quem sustenta a máquina, quem espera retorno — mas recebe migalhas. Promessas vazias, serviços precários, e a sensação crescente de abandono.
A verdade é dura: a sociedade tem sido usada como meio, nunca como fim. E enquanto os políticos olham para si mesmos, para seus interesses e seus círculos, o povo continua ali — assistindo, pagando, e sendo tratado como peça descartável de um jogo que nunca parece mudar.
Cosme Jales

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