⚽ Memórias da Copa | Brasil x Argentina 1990: os 81 minutos que mudaram a história do futebol brasileiro

📚 Memórias da Copa Uma série especial da Folha Sanjoense que relembra os jogos, os craques e as emoções que marcaram a história das Copas do Mundo.

A Seleção encantou o mundo, dominou a Argentina durante quase toda a partida, mas um único lance de Diego Maradona e Claudio Caniggia adiou o sonho do tetracampeonato e transformou aquele confronto em um dos mais inesquecíveis da história das Copas do Mundo.
Existem derrotas que o tempo não consegue apagar. Elas permanecem vivas na memória dos torcedores, são lembradas em conversas de família, nos programas esportivos e em cada Copa do Mundo. Uma delas aconteceu na tarde de 24 de junho de 1990, em Turim, na Itália.
Naquele dia, Brasil e Argentina entraram em campo para disputar uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. De um lado estava uma Seleção Brasileira confiante, que havia vencido seus três jogos na fase de grupos e chegava como uma das favoritas ao título. Do outro, uma Argentina desacreditada, que ainda buscava reencontrar o futebol que a havia levado ao título mundial quatro anos antes, no México.
O cenário parecia favorável ao Brasil.
Durante boa parte da partida, a equipe comandada por Sebastião Lazaroni mostrou um futebol envolvente, ofensivo e muito superior ao do adversário. A bola circulava com velocidade, o meio-campo dominava as ações e o ataque criava oportunidades sucessivas.
A torcida brasileira, espalhada pelo mundo, sentia que o gol era apenas uma questão de tempo.
E as chances realmente apareceram.
Müller levou perigo em diversas oportunidades. Careca fez o goleiro argentino Sergio Goycochea trabalhar. Dunga organizava o meio-campo com precisão, enquanto Alemão e Branco controlavam os espaços. A Seleção atacava por todos os lados.
Em um dos lances mais lembrados daquele confronto, a bola ainda explodiu na trave argentina, aumentando a sensação de que o destino insistia em desafiar o Brasil.
Enquanto isso, Diego Armando Maradona praticamente não aparecia. Marcado de perto, encontrava dificuldades para criar jogadas e parecia longe de decidir a partida.
Mas gênios precisam de apenas um instante.
Quando o relógio marcava cerca de 36 minutos do segundo tempo, Maradona recebeu a bola ainda em seu campo de defesa. Cercado por jogadores brasileiros, iniciou uma arrancada impressionante. Driblou a marcação, avançou pelo centro do gramado e, no momento exato, encontrou Claudio Caniggia livre pelo lado direito.
O passe foi perfeito.
Caniggia dominou em velocidade, tirou o goleiro Taffarel da jogada com um toque sutil e empurrou a bola para o fundo das redes.
Silêncio.
O Brasil, que havia controlado praticamente todo o jogo, estava atrás no placar.
Os minutos finais foram de desespero. A Seleção tentou reagir, pressionou como pôde, mas o apito final confirmou uma das eliminações mais dolorosas da história do futebol brasileiro.
A Argentina venceu por 1 a 0.
A derrota que ninguém esqueceu
Para muitos especialistas, aquele foi um dos maiores exemplos de como o futebol pode ser imprevisível. O Brasil teve mais posse de bola, criou mais oportunidades e apresentou um desempenho superior durante quase toda a partida.
Mesmo assim, foi eliminado.
A Argentina, que parecia dominada durante quase todo o confronto, aproveitou sua única grande oportunidade.
Foi a vitória da eficiência sobre o volume de jogo.
O passe que entrou para a história
Até hoje, o lance construído por Diego Maradona é considerado uma das assistências mais brilhantes da história das Copas do Mundo.
Em poucos segundos, ele transformou uma jogada aparentemente comum em um dos momentos mais emblemáticos do futebol mundial.
Claudio Caniggia completou a jogada com categoria, e aquele gol passou a fazer parte da memória de milhões de brasileiros.
Quatro anos depois, a resposta
A eliminação em 1990 deixou marcas profundas na torcida brasileira.
No entanto, o futebol também oferece oportunidades de recomeço.
Quatro anos mais tarde, nos Estados Unidos, a Seleção voltou ainda mais forte. Com Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel e uma geração determinada, o Brasil conquistou o tão sonhado tetracampeonato mundial, encerrando um jejum de 24 anos sem levantar a taça.
Para muitos torcedores, o título de 1994 foi também uma forma de cicatrizar a dor daquela tarde em Turim.
Curiosidades
⚽ Data: 24 de junho de 1990.
🏟️ Local: Estádio Delle Alpi, em Turim, Itália.
🥅 Placar: Argentina 1 x 0 Brasil.
⭐ Autor do gol: Claudio Caniggia.
🎩 Assistência: Diego Maradona.
🏆 A Argentina chegou à final da Copa, mas foi derrotada pela Alemanha Ocidental por 1 a 0.
Memórias da Copa
Alguns jogos terminam quando o árbitro apita pela última vez.
Outros permanecem vivos para sempre.
Brasil e Argentina, em 1990, pertence à segunda categoria.
Foi um daqueles confrontos que ensinaram ao mundo que o futebol nem sempre premia quem joga melhor. Às vezes, basta um momento de inspiração para mudar o destino de uma nação inteira.
Mais de três décadas depois, a lembrança daquela tarde continua despertando emoções em milhões de brasileiros. Uns recordam a frustração. Outros admiram a genialidade de Maradona. Todos concordam em uma coisa: aquele não foi apenas um jogo de futebol.
Foi um capítulo eterno da história das Copas do Mundo.
🧤 Goleiros
Cláudio Taffarel – titular da equipe
Carlos
Acácio
🛡️ Defensores
Jorginho – lateral-direito, apoio e velocidade
Branco – lateral-esquerdo, especialista em cobranças de falta
Mauro Galvão – zagueiro técnico
Ricardo Rocha – zagueiro de força e marcação
Aldair – defensor jovem que ganharia destaque depois
Nelsinho
Luiz Carlos Winck
⚙️ Meio-campistas
Dunga – volante de marcação e liderança
Alemão – organização e qualidade técnica
Valdo – criação de jogadas
Mazinho – versatilidade
Tita
Silas
⚽ Atacantes
Careca – principal referência ofensiva
Müller – velocidade e movimentação
Romário – talento decisivo (ficou fora do jogo contra a Argentina por lesão)
Bebeto
Renato Gaúcho
🇧🇷 Time titular contra a Argentina (oitavas de final – 24/06/1990)
Taffarel; Jorginho, Mauro Galvão, Ricardo Rocha e Branco; Alemão, Dunga, Valdo e Müller; Careca e Bebeto.
Técnico: Sebastião Lazaroni
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