LEMBRANDO ELEIÇÕES | 1989: quando o Brasil voltou a escolher o presidente nas urnas


Uma eleição que reuniu 22 candidatos, gigantes da política brasileira, televisão, debates históricos e uma disputa que ajudou a definir os rumos do país

Confira a memória das Eleições de 1989 no TSE

Houve um tempo em que votar para presidente da República era, para milhões de brasileiros, apenas uma lembrança contada pelos pais e avós.

Durante o regime militar, o presidente não era escolhido diretamente pelo povo. Depois de quase três décadas sem uma eleição presidencial direta, 1989 chegou como um acontecimento extraordinário.

No dia 15 de novembro de 1989, os brasileiros finalmente voltaram às urnas para escolher diretamente o presidente. Era a primeira eleição presidencial direta desde 1960 e também a primeira eleição para presidente realizada em dois turnos. (Justiça Eleitoral)

E talvez seja difícil explicar para quem nasceu depois daquele período o tamanho daquele momento.

O Brasil ainda estava descobrindo a democracia novamente.

E a eleição foi simplesmente inesquecível.
🇧🇷 22 candidatos em uma única eleição

Hoje, quando lembramos de 1989, normalmente pensamos em Fernando Collor e Lula.

Mas a história daquela eleição era muito maior.

Nada menos que 22 candidatos disputaram a Presidência. Entre eles estavam nomes que já eram gigantes da política brasileira e outros que posteriormente se tornariam figuras conhecidas nacionalmente. (Justiça Eleitoral)

Na cédula apareciam nomes como:

Fernando Collor, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado, Enéas Carneiro e Fernando Gabeira, entre outros. (Justiça Eleitoral)

Era uma eleição com uma diversidade política que impressiona até hoje.

E cada candidato carregava consigo uma história, uma personalidade e uma visão diferente para o Brasil.
🦅 Fernando Collor: o jovem "caçador de marajás"

Fernando Collor de Mello era governador de Alagoas e surgiu como uma das grandes novidades daquela eleição.

Jovem, elegante, com forte presença na televisão e discurso agressivo contra os chamados "marajás", funcionários públicos acusados de receber salários elevados, Collor conseguiu transformar seu nome em um fenômeno nacional.

Sua campanha defendia a ideia de modernização do país e de combate aos privilégios.

O curioso é que ele vinha de um partido pequeno, o PRN, enquanto os grandes partidos da época apresentavam candidatos muito mais conhecidos.

Mesmo assim, Collor cresceu rapidamente nas pesquisas e chegou ao primeiro turno como favorito. O próprio TSE registra que sua campanha ganhou força justamente com esse discurso de combate aos privilégios. (Justiça Eleitoral)
✊ Lula: o operário que queria chegar ao Planalto

Do outro lado estava um personagem que também faria história.

Luiz Inácio Lula da Silva chegava à sua primeira eleição presidencial.

Ex-metalúrgico, líder sindical e fundador do Partido dos Trabalhadores, Lula representava uma parcela da sociedade que defendia profundas mudanças sociais e econômicas.

Sua candidatura mobilizava trabalhadores e setores da esquerda brasileira.

Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, com 16,08%, apenas algumas décimas acima de Leonel Brizola. (Biblioteca Virtual Uniasselvi)

E assim começou uma das rivalidades políticas mais duradouras da história brasileira.
🧓 Leonel Brizola: o gigante que quase chegou ao segundo turno

Se existe um nome que merece destaque especial quando se fala de 1989, esse nome é Leonel Brizola.

Ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Brizola era uma das maiores lideranças da esquerda brasileira.

Tinha uma personalidade forte, discurso inflamado e enorme capacidade de comunicação.

E ficou muito perto de disputar o segundo turno.

Brizola terminou o primeiro turno com 15,45%, apenas 454.445 votos atrás de Lula. (memoriaglobo)

Foi uma diferença pequena para uma eleição daquele tamanho.

Durante algum tempo, muitos brasileiros chegaram a imaginar um segundo turno entre Collor e Brizola.

Não aconteceu.

Lula avançou.
🎙️ Ulysses Guimarães: o "Senhor Diretas"

Outro nome daquela eleição parece quase impossível de imaginar fora de um livro de história.

Ulysses Guimarães.

Uma das figuras centrais da redemocratização brasileira e presidente da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1988, Ulysses carregava enorme peso histórico.

Era conhecido como um dos principais símbolos da luta pela redemocratização.

Mas a eleição presidencial mostrou uma realidade curiosa: apesar de toda a sua importância histórica, Ulysses terminou apenas com 4,43% dos votos. (Biblioteca Virtual Uniasselvi)

A política brasileira estava mudando.

E rapidamente.
🏛️ Mário Covas: firmeza e serenidade

Mário Covas também estava naquele palco.

Ex-prefeito de São Paulo e uma das principais lideranças do recém-criado PSDB, Covas tinha um estilo diferente de Collor, Maluf ou Brizola.

Mais sereno, técnico e conhecido pela postura firme, terminou o primeiro turno em quarto lugar, com 10,78% dos votos. (Biblioteca Virtual Uniasselvi)

Foi uma das grandes figuras daquela eleição.
🎩 Paulo Maluf: experiência e tradição política

Outro velho conhecido dos brasileiros era Paulo Maluf.

Ex-governador de São Paulo, Maluf já possuía uma longa trajetória política e uma base eleitoral importante.

Terminou a eleição em quinto lugar, com 8,28% dos votos no primeiro turno. (Biblioteca Virtual Uniasselvi)

Seu nome era conhecido em praticamente todo o país.
📺 E ainda havia uma eleição dentro da eleição...

Se 22 candidatos já não fossem suficientes, 1989 ainda teve episódios que parecem roteiro de filme.

Um deles envolveu Sílvio Santos.

O apresentador e empresário chegou a ser articulado como candidato à Presidência quando faltava pouco tempo para o primeiro turno. O TSE registra que setores do PFL chegaram a planejar o lançamento de sua candidatura por outra legenda. (Justiça Eleitoral)

A candidatura, porém, acabou não indo às urnas.

Mas o episódio mostra como aquela eleição era imprevisível.
🗳️ O primeiro turno

No dia 15 de novembro de 1989, o eleitor brasileiro foi às urnas.

O resultado colocou:

Fernando Collor — 28,52%


Lula — 16,08%


Leonel Brizola — 15,45%


Mário Covas — 10,78%


Paulo Maluf — 8,28%


Guilherme Afif Domingos — 4,53%


Ulysses Guimarães — 4,43%






Fonte histórica: Tribunal Superior Eleitoral
Resultados oficiais das Eleições de 1989 — TSE

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