Exercício físico pode deixar de ser apenas recomendação e passar a integrar tratamentos para a saúde do cérebro

    

Pesquisadores defendem que atividades físicas sejam prescritas por profissionais de saúde, considerando seus benefícios para a memória, a cognição e o equilíbrio emocional.

A prática de exercícios físicos pode ganhar um papel ainda mais importante nos cuidados com a saúde. Pesquisadores de universidades canadenses defendem que a atividade física deixe de ser apenas uma recomendação genérica durante consultas médicas e passe a ser considerada uma intervenção terapêutica para proteger a saúde cerebral.

A proposta foi apresentada em artigo publicado nesta terça-feira (3) na revista científica Brain Health, pelos pesquisadores Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, e Stanley Wong, da Universidade de Toronto.

Segundo os especialistas, os benefícios da atividade física vão muito além do condicionamento físico. O exercício atua em diferentes funções do cérebro, contribuindo para a memória, o funcionamento cognitivo, o equilíbrio emocional e a saúde mental.

Exercício também protege a memória

Os pesquisadores destacam que o cérebro depende de uma boa circulação sanguínea, equilíbrio metabólico, controle de processos inflamatórios e neuroplasticidade — capacidade de criar e reorganizar conexões entre os neurônios.

Um estudo clínico realizado com adultos mais velhos, publicado em 2011, identificou que exercícios aeróbicos contribuíram para aumentar o volume do hipocampo, região cerebral diretamente relacionada à memória.

Outras pesquisas também apontam benefícios de atividades como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força na redução de sintomas depressivos e de ansiedade.

Quanto exercício é recomendado?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. Outra possibilidade é realizar de 75 a 150 minutos de atividade física intensa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.

Os pesquisadores defendem que as orientações sejam individualizadas, considerando o tipo de atividade, a frequência, a intensidade, a duração e as condições de saúde de cada pessoa.

Começar pequeno também faz diferença

Para quem enfrenta dificuldades de motivação, cansaço ou sintomas depressivos, o início não precisa envolver grandes esforços.

Uma caminhada de cinco minutos, exercícios adaptados em uma cadeira ou pequenas atividades da rotina podem representar os primeiros passos para construir um hábito saudável.

A mensagem dos pesquisadores é clara: o mais importante é começar dentro das próprias possibilidades e manter a regularidade.

Cuidar do corpo também é cuidar da mente. A ciência reforça que incorporar o movimento à rotina pode representar um investimento importante na qualidade de vida, na memória e na saúde cerebral ao longo dos anos.

Fonte: Agência Brasil, com informações da agência Lusa. Publicado em 3 de novembro de 2026.

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